Entrei na sala de partos eram 2 e pico da manhã.

 

Fui observada por um enfermeiro muito simpático que me disse: "já tem condições óptimas para levar epidural, quando quiser é só dizer"

 

Como ainda não tinha dores nenhumas disse-lhe que ia aguardar mais um pouco desde que ele me fosse observando, pois quando foi do Diogo só fui observada estava com 5 cm e já não me queriam dar epidural.

 

As horas foram passando e a dilatação não adiantava. Comecei a ter um desconforto mais forte (nada de especial, mas como já sabia o que vinha a seguir...) e pedi epidural.

 

Num instante colocaram a santa epidural e passado cerca de uma hora administraram ocitocina para acelerar a coisa.

 

Eram quase 7:30h da manhã e não havia grande evolução. Comecei a temer pois detesto as mudanças de turno (devo ter um dedo que adivinha).

 

Mudou o turno e entrou ao serviço um enfermeiro com uns "tiques estranhos". Observou-me, aumentou-me a ocitocina e disse-me para aguardar. Perguntei-lhe pela epidural porque estava quase a acabar aquela dose e ele disse que não acabava, a máquina apitava e eles colocavam mais.

 

 

Mas a verdade é que as contracções começaram a fazer-se sentir e eu pedi para aumentar a dose. Pois o parvalhão veio com a conversa que isso eram modernices e que as nossas mães e avós tinham feito tudo ao natural e eram umas grandes mulheres e blá, blá, blá.

Apeteceu-me dizer-lhe umas coisinhas mas depois quem as pagava era eu e engoli em seco.

 

Passado um pouco rebentaram as águas e chamei o enfermeiro. Veio o enfermeiro e julgo que uma enfermeira auxiliar observarem-me. Comentaram que tinha mecónio, ao que eu fiquei apreensiva, pois sabia bem que era sinal de sofrimento para o bebé. O enfermeiro tentou descansar-me mas não me convenceu.

 

Observou-me e achou estranho o bebé não descer. Mandou-me fazer força e observou novamente. Olhou para a enfermeira e fez uma cara estranha ao dizer que estava a mexer numa orelha e não na parte de cima da cabecita do bebé.

 

Não gostei nem um pouco da cara da enfermeira!!!

 

O enfermeiro voltou a observar-me, mandou-me fazer força e disse: "afinal não é uma orelha, é um olho. Vou chamar um médico, acho que o parto tem de ser diferente".

 

Gelei naquele momento. Percebi que o bebé não estava bem posicionado, embora não me tivesse ainda apercebido da gravidade da situação. Gelei mais por pensar que o enfermeiro podia ter lesionado o bebé no olho.

 

Chegou uma médica que me observou e disse: "Por mais vontade de fazer força que tenha, por amor de Deus, não faça. Temos de ir para cesariana e tem de ser rápido".

 

Aí sim entrei em pânico (por dentro, exteriormente o que se via eram as lágrimas a rolarem-me cara abaixo)... o meu pequenito estava com os olhos e cana do nariz a bater na minha bacia, ao mais pequeno movimento poderia estar em risco de vida (pânico, pânico, pânico... chorei)

 

Num instante me preparam para o bloco e me fizeram uma cesariana. Correu tudo muito bem, embora tivesse de controlar a vontade de fazer força uma série de vezes (não foi fácil, mas só o saber que tinha o meu menino em risco fiz o possível e o impossível).

 

E assim nasceu o piriko Afonso, às 11:45h da manhã. Nem sei descrever o que senti quando o ouvi chorar e a médica me disse que era ele e que estava bem. Foi um momento mágico.

P.s: - Tadito, tinha a cabeça inchada devido à posição e vinha com sangue por baixo dos olhos devido ao toque do enfermeiro (mais uma vez o pânico de achar que estava lesionado).

publicado por pirikos às 20:19